Banca de DEFESA: LUMA PINHEIRO DIAS
19/02/2026 14:57
Este trabalho parte da análise da trajetória intelectual de Nísia Floresta Brasileira Augusta para discutir as possibilidades de existência feminina nos Oitocentos, considerando três aspectos de sua vivência: a escrita, a educação e as viagens que realizou por diferentes províncias do Brasil e pela Europa. Nascida Dionísia Gonçalves Pinto, em Papari, Rio Grande do Norte, em 1810, atuou como educadora e escritora em um período caracterizado pela acentuação das diferenças entre os sexos e pela reafirmação da domesticidade feminina. Concentrando seus esforços na defesa do direito das mulheres à educação, prescreveu modelos ideais de filha, esposa e mãe por meio da escrita, tornando-as capazes de promover, junto aos homens, o progresso da humanidade. Em 1838, fundou o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, voltado para a educação de meninas. Publicou dezenas de títulos, com traduções para o francês, o italiano e o inglês. Faleceu em Rouen, em 1885. Considerada precursora do feminismo no Brasil, Nísia Floresta constitui exemplo entre outras mulheres que se destacaram no universo da escrita e ousaram questionar os padrões de diferenciação sexual de seu tempo. Assim, interessa conhecer sua atuação como educadora, escritora e viajante, uma vez que viveu aproximadamente 28 anos na Europa, período em que conheceu outras culturas, diversos intelectuais e expandiu seus argumentos em prol da educação feminina, contra a escravidão e a perseguição aos indígenas. Entre os intelectuais mencionados em seus escritos, Mary Wollstonecraft e Augusto Comte foram escolhidos para discutir não somente a influência de terceiros na formulação de seu projeto, mas também sua inserção nos debates que circulavam nos espaços letrados europeus. Para isso, recorreu-se a fontes bibliográficas e hemerográficas, bem como à obra de Nísia Floresta, composta por livros, artigos em jornais, manuais morais para meninas, poemas e relatos de viagem, entre outros. Como inspiração teórico-metodológica, destacam-se Roger Chartier, Joan Scott, Teresinha Queiroz, Nicolau Sevcenko, Bonnie G. Scott e outros.