Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIEL ROCHA DA SILVA
20/02/2026 10:17
O estigma relacionado a doenças é um problema histórico que afeta o cotidiano social, impactando a população em diferentes localidades. No Brasil, esse problema é verificado através de segregações e isolamentos, tanto físico, quanto simbólico. Como forma de atenuar essa situação, a Igreja Católica intervém de diferentes maneiras, dentre elas, cita-se a Ação Social Arquidiocesana (ASA), em Teresina. A referida organização foi fundada em 1956 e, desde então, possui finalidades vinculadas à assistência de pessoas em vulnerabilidade social. Particularmente, ao longo da década de 1990, observa-se o desenvolvimento de serviços que prestam assistência a pessoas com doenças estigmatizadas: Centro Maria Imaculada, referência no tratamento de pessoas acometidas por hanseníase, Lar de Misericórdia, serviço que acolhe pessoas em tratamento contra o câncer e o Lar da Fraternidade, serviço que acolhia pessoas diagnosticadas com aids. Os três serviços, apesar de terem finalidades de acolher pessoas em diferentes circunstâncias e acometidas por diferentes doenças, possuem em comum a ênfase em doenças que podem estigmatizar por meio de diferentes situações. Dessa forma, surge o questionamento: em que medida a atuação da ASA revela as contradições entre o projeto de universalização da saúde proposto pela Reforma Sanitária brasileira e sua efetiva implementação em Teresina, especialmente no tratamento de doenças que carregam estigma social? Com isso, a partir dessa questão, o objetivo geral desta pesquisa é analisar a atuação da Ação Social Arquidiocesana (ASA) na assistência a pessoas acometidas por doenças estigmatizadas em TeresinaPI, no contexto social e político da saúde pública no Brasil, das últimas décadas do século XX e início do século XXI (1992-2018). Metodologicamente, a pesquisa possui natureza qualitativa, por ter enfoque nos aspectos sociais e políticos, sobre como a entidade atuou no combate a doenças que podem estigmatizar, bem como sobre a visão filantrópica e caritativa acerca das pessoas assistidas pelos serviços. Por isso, quanto aos procedimentos, a pesquisa possui caráter documental, tendo como intuito a catalogação de fontes de diferentes naturezas, considerando as especificidades e maneiras diferentes que estas devem ser operacionalizadas na produção historiográfica. Além disso, diante das possíveis lacunas que estas fontes podem suscitar e com a necessidade de confrontar as documentações, será utilizada a metodologia da História Oral. Assim, serão entrevistadas pessoas que atuaram nesse serviço e/ou que foram acolhidas por ele. Nesse caso, a partir do cuidado metodológico, o intuito é historicizar a ASA, discutindo acerca das ações implantadas, diante dos contextos sociais e políticos que afetam nas decisões e nos serviços propostos, sobretudo entre o final do século XX e primeiras décadas do século XXI, considerando como esta instituição se relaciona com os agentes políticos e a promoção de intervenções que almejam melhorar as condições sociais, além das ações e omissões do Estado diante destas ações. Dessa maneira, a entidade é utilizada como pretexto para se discutir aspectos da saúde pública e como esses problemas afetaram a sociedade brasileira no tempo presente.