Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA NATIELLY SOARES CAMPOS
23/02/2026 09:29
A presente tese observa como, durante os anos de 1853 a 1920, o rio Parnaíba foi idealizado como solução para o isolamento econômico para as crises de navegação e para os problemas de importação e exportação de produtos do Piauí, bem como de que maneira a mobilização e os investimentos a nível provincial e estadual influenciaram os projetos de “modernização” na cidade de Parnaíba. Nesse sentido, observa-se que o rio, através do Igaraçu, era compreendido como forma de “superação do atraso”, da carestia e das dificuldades de circulação de produtos. O estudo fundamenta-se em análise documental e revisão bibliográfica, articulando reflexões de autores como Fernand Braudel (2013), Michel de Certeau (1994) e Norbert Elias (1994), além de estudos bibliográficos como os de Odilon Nunes (2001, 2007), Pe. Cláudio Melo (1985) e Joaquim Nogueira Paranaguá (2019), entre outros estudos. A pesquisa mobiliza fontes de relatórios de governo referentes ao recorte temporal, além do uso da cartografia. A relevância da pesquisa reside em evidenciar que o rio Parnaíba, longe de corresponder às idealizações projetadas antes da instalação de navegabilidade comercial, não se encontrava plenamente apto à navegação, em razão de condições naturais e da necessidade de investimentos. Ao destacar as dificuldades materiais e os limites de acesso, o estudo problematiza a noção do rio como via naturalmente navegável e como solução imediata para o isolamento econômico do Piauí, evidenciando que sua navegabilidade foi resultado de esforços contínuos. Assim, deslocamos o olhar do rio como “caminho pronto” para compreendê-lo como espaço de disputas, projetos e projeções de futuro.