Banca de DEFESA: DINORAH FRANÇA LOPES
23/02/2026 11:38
O trabalho analisa a circulação de saberes e produtos da quina-quina do Piauí nas diretrizes do Reformismo Ilustrado. Especificamente, explicamos como a exploração desta árvore representou (1) um projeto de inventariação da natureza inspirado no Reformismo Ilustrado. Somado a isso, (2) a dinâmica atlântica e global das trocas de informação e materiais na qual a capitania do Piauí estava inserida. Finalmente, (3) um encontro de saberes indígenas, africanos e europeus nos domínios portugueses. Nossas fontes foram produzidas entre os anos de 1763 e 1806 e pertencem ao contexto iluminista, fazendo, pois, parte de um processo mais amplo do que suas datações indicam. Tais documentos incluem cartas de autoridades coloniais, algumas digitalizadas pelo Projeto Resgate e disponíveis no Arquivo Histórico Ultramarino, outras preservadas no acervo físico do Arquivo Público do Piauí; além de duas quinografias disponibilizadas digitalmente pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin; e um ensaio produzido pelos viajantes Vicente Jorge Dias Cabral e o padre Joaquim José Pereira. Outros documentos presentes na pesquisa têm importância secundária e foram usados como instrumentos para a compreensão das fontes principais. A construção desta dissertação está alicerçada pela leitura de textos relacionados à História das Ciências e à História Ambiental. No debate, houve espaço para produções sobre meio ambiente, imperialismo, ciências, viajantes e filosofia natural, como as obras de Fernand Braudel (2001), Kapil Raj (2015), Andrea Wulf (2016) e Ailton Krenak (2019). Conceitos como o de “Imperialismo Ecológico”, de Alfred Crosby (2011), foram base para a reflexão. Mesmo com papel secundário, outros conceitos fizeram parte de nosso filtro de análise. Por fim, serviram de inspiração para esta dissertação aspectos teórico-metodológicos empregados por Alba Moya Torres (1994), Danielle Sanches Almeida (2017), Gabriela Berthou de Almeida (2020), Gutiele Gonçalves dos Santos (2022), Janayne de Moura Ferreira (2021), Mairton Celestino da Silva (2016) e Vera Regina Beltrão Marques (1998).