Banca de DEFESA: NATÁLIA MARIA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA
05/03/2026 08:58
Esta tese investiga a criação e o funcionamento da Igreja Católica no Piauí a partir dos Seminários Interdiocesanos, em Teresina, nos anos de 1906 a 1983, compreendendo a constituição desses espaços e as interferências na Igreja e na sociedade da época. Argumenta-se que a criação desses seminários não constitui mera resposta à escassez de sacerdotes, mas expressa, em cada momento histórico, uma estratégia institucional de formação de um clero disciplinado, moralmente rigoroso e alinhado às diretrizes romanas. O marco temporal deve-se à data da inauguração do primeiro seminário do Piauí, após a criação e instalação da Diocese do Piauí; e o ano de 1983, período em que os bispos piauienses implantaram um novo seminário interdiocesano devido à necessidade de sacerdotes nas sete dioceses do Piauí. Diante da criação e instalação da Diocese do Piauí, Dom Joaquim Antônio de Almeida, primeiro bispo, inaugurou um Seminário Episcopal e o Colégio São Francisco de Sales (Colégio Diocesano). Essa ação era necessária no contexto de separação entre a Igreja e o Estado devido ao fim do padroado e das querelas entre liberais e eclesiásticos. O segundo, Seminário Maior Interdiocesano Sagrado Coração de Jesus, surge diante da escassez de sacerdotes e da impossibilidade de enviar jovens para casas formativas em outros estados. Postula-se que ambas as instituições compartilham o objetivo estratégico de formar um clero disciplinado, moralmente rigoroso e alinhado às diretrizes romanas, capaz de consolidar a autoridade episcopal nas paróquias. Do ponto de vista metodológico, combina fontes primárias eclesiásticas, com destaque para livros tombos, atas, documentos normativos da CNBB e do CELAM, registros da imprensa; e entrevistas realizadas por meio da História Oral temática com bispos, sacerdotes e funcionários diretamente envolvidos nas instituições analisadas. Os aportes teóricos centrais são a noção de recepção como prática interpretativa, a partir de Michel de Certeau, e a análise da disciplina como tecnologia de poder, a partir de Michel Foucault, articulados com a historiografia eclesiástica brasileira contemporânea. Utiliza-se, ainda, como apoios teóricos Jacques Le Goff, Roger Chartier, Dilermando Vieira, Henrique Matos, Marcelo Neto, Juarez Silva, Paulo Libório e Fonseca Neto.