Banca de DEFESA: HELEN ADRIELY SOBREIRA DE SOUSA
10/03/2026 09:30
A ditadura militar brasileira (1964-1985) estruturou um complexo aparato repressivo de controle político e neutralização de dissidências, operado por órgãos de segurança e informação que institucionalizaram o Terrorismo de Estado. No Piauí, esse cenário manifestou-se por meio de vigilância ostensiva, perseguição e criminalização de indivíduos rotulados como subversivos pela polícia política. Esta pesquisa, portanto, investiga as trajetórias de sujeitos piauienses que, diante do acirramento da violência política nas décadas de 1960 e 1970, foram compelidos ao exílio como estratégia de sobrevivência pessoal. O objetivo central é analisar os caminhos do exílio – as saídas, as chegadas e os retornos – compreendendo-o como um processo decorrente das práticas de Terrorismo de Estado. Para tanto, a pesquisa perpassa diversos recortes espaciais, articulando as dinâmicas políticas locais às pressões do cenário nacional e às vivências transnacionais enfrentadas pelos sujeitos no exterior ou em outras regiões do país. Metodologicamente, a pesquisa, apoia-se em um corpus documental diversificado: e os Inquéritos Policiais Militares (nº 16, 184, 340, 349 e 705); os jornais O Dia e O Estado do Piauí; livros de memória (biografias) e depoimentos orais que conferem subjetividade ao trauma, fundamentais para compreender a lógica punitiva do regime. O arcabouço teórico fundamenta-se nos debates sobre Terrorismo de Estado, repressão política, ditadura militar e estado de exceção, mobilizando as contribuições de Maria Helena Moreira Alves (2005), Enrique Serra Padrós (2005), Nilson Borges (2003), Rodrigo Patto Sá Motta (2021) e Denise Rollemberg (1999), articulando-se também com as reflexões de Giorgio Agamben (2004) acerca do estado de exceção como dispositivo jurídico-político que suspende garantias legais e legitima práticas de violência estatal. O trabalho dialoga ainda com as discussões sobre memória, testemunho e violência de Estado, presentes em Márcio Seligmann-Silva (2003), Michel Pollak (1989) e Beatriz Sarlo (1997).