Banca de DEFESA: IARAH GABRIELLY DE SOUSA LYRA
01/04/2026 16:26
A presente pesquisa analisa as tramas político-sociais que envolvem as hortas comunitárias do bairro Itararé, localizadas na região Sudeste da capital Teresina (PI), entre 1987 e 2000. O recorte tem como marco inicial o ano de 1987, quando ocorreu a implantação oficial do projeto enquanto política pública municipal. Como recorte final, estabelece-se o ano de 2000, período em que se observam reconfigurações institucionais e o reconhecimento internacional da experiência, evidenciado pela visita de representantes vinculados ao sistema da Organização das Nações Unidas. O objetivo geral da pesquisa é compreender como os horticultores, por meio das hortas comunitárias, sustentaram e ressignificaram a agricultura urbana, constituindo-a simultaneamente como estratégia de combate à insegurança alimentar e como experiência de organização popular no espaço urbano, em meio ao cenário político nacional e local e às articulações institucionais envolvidas nesse processo. A pesquisa fundamenta-se teoricamente nas contribuições de Henri Lefebvre (2001), David Harvey (2014) e Cláudia Fontineles e Marcelo de Sousa Neto (2017) sobre a cidade, Raymond Williams (1989) acerca da relação campo-cidade e Edward Palmer Thompson (1998; 2002) sobre trabalho e experiência. Dialoga também com Juliana Monteiro (2005) e Joana Aires da Silva (2014), acerca das hortas comunitárias de Teresina, nas perspectivas econômica e geográfica, além da análise e discussão sobre agricultura urbana por meio da revista Urban Agriculture and Food Systems Magazine. Metodologicamente, o estudo utiliza fontes diversas, como fontes hemerográficas, especialmente o jornal O Dia, fundamentando-se nas contribuições de Sônia Maria de Meneses Silva (2011) e Tania Regina de Luca (2008), além do uso de fotografias, mapas, documentos oficiais, contratos entre a Prefeitura Municipal de Teresina e a CHESF sobre a cessão dos terrenos e o aporte financeiro, manuais do horticultor e folhetins, bem como entrevistas orais com horticultores presentes nas hortas desde os anos iniciais do projeto, mobilizando autores como Michael Pollak (1989), acerca da memória, e a metodologia da História Oral, a partir de Verena Alberti (2005) e Paul Thompson (1998). Dessa maneira, compreende-se que a agricultura urbana já se fazia presente na cidade de Teresina por meio do cultivo de subsistência de moradores que migraram do campo em busca de melhores condições de vida e que, posteriormente, com a implantação do projeto, consolidou-se para além do caráter institucional e assistencial como experiência de organização popular sustentada pela atuação e permanência dos horticultores no espaço urbano, articulando produção alimentar, práticas cooperativas, táticas e construção de cidadania, em meio ao contexto da redemocratização do país.